04/11/2015

Além da flor murcha: Almas

Almas

Desde os 5 anos de idade, vou para a escola caminhando e contando meus passos, para distrair. Passando pelo mesmo caminho, admirava uma árvore de hibiscos, que por incrível que pareça, sempre caia uma flor em cima da minha cabeça ou do meu lado. Uma flor murcha, como se fosse um alguém triste, preso nas pétalas enrugadas, querendo transmitir uma mensagem, mas nunca conseguia. Pensamento ridículo, eu sei. Possuo uma mente barulhenta

E é com a isso que enfrento desafios a todo momento e um deles, o medo. Sempre fui uma dessas meninas frias e rude, mas no fundo, o medo me incomodava. Mas medo de que? Não sei. Não tem como descrever do que sinto medo, ou do que tenho agonia, só sei que isso está me matando por dentro.
Tenho uma certa cisma com algumas coisas. Podem me chamar de otária, imatura ou infantil, mas quem nunca teve essa fase na vida, certo? Sempre achei que alguém me vigia a todo momento. Quem sabe a pessoa da pétala não tenha sido libertada. Não creio muito nisso, mas dizem que depois da morte, nossa vida passa em um telão, ou melhor, o dia do julgamento final, que todos veem a linha do tempo de cada um presente. Será que é para isso que temos um ''vigia''?

Frequentei pela primeira vez, um centro espírita no qual ficava perto da minha casa. Eu devia ter mais ou menos 5 a 6 anos. Faço parte daquelas pessoas que acreditam em Deus e que convence parte dos amigos ateus, que ele existe. Porém, não tenho religião e me sinto bem com isso. Meu pai, em uma tarde de domingo, me convenceu a ir em um centro espírita! Empolgada, fui com a intenção de conhecer uma religião que possuía objetivos, nos quais poderiam me ajudar nas respostas das minhas dúvidas.Sobretudo, isso não ocorreu.

No dia seguinte, eu estava tranquila! Acordei de bom humor, tomei um café e fui direto para o computador lê sobre assuntos terroríficos. Passei a tarde toda fazendo a mesma coisa, até que meu pai me chamou para conversar no quarto dele.
A janela do quarto, fica de frente para o quintal da casa, onde dá pra ser visto também, a porta do quarto e do banheiro que nossa doméstica frequentava. E era lá, neste quarto, que minha cachorrinha ficava, enquanto ele não estava sido usado por ninguém. Ela estava esperando filhotinhos e nós não sabíamos quando eles iam chegar! Poderia ser no exato momento em que estávamos olhando atentamente para a porta, ou em um tempo mais distante.
E foi ai que aconteceu. Após a concentração excessiva minha e do meu pai, vimos uma pessoa ruiva, adentrando no quarto, e poucos segundos depois, minha cachorra late!

Latido estridente, nunca ouvimos ela latir assim. Assustados, fomos rapidamente para o quarto. Dava pra enxergar meu pai se encrespar todinho, após ter adentrado. O sangue subia quente a cada passo que eu dava, parecia que estava queimando tudo por dentro. E pra completar, vem o medo. Ah, o medo. Meu maior inimigo da minha ambição. Estava tão preocupada e medonha que nem me dei conta de que a minha cachorra não estava lá. Por um momento, eu desliguei do mundo e já estava em um universo paralelo, aquele que poderia ter alguém dentro de uma simples pétala de flor. Pensei que esse alguém ruivo pudesse ser meu ou minha vigia. Talvez as pétalas avermelhadas da flor, seja por causa disso. Enfim, voltei a realidade e fui em busca da Bebel (minha cachorra). Procuramos por ela em todo o quarto, e nenhum sinal. Até que por curiosidade, olhei atrás de uma cadeira antiga, e lá estava ela. E para a surpresa de toda a família, estava parida!!!!
Fiquei sem expressão e não sabia o que fazer. Será que o ''alguém ruivo'' tem algo haver com isso?
Não vimos a pessoa saindo do quarto, tudo indica que ela ainda estava lá. E meu pai, se encrespava cada vez mais, e minha angustia, só ia aumentando.

Depois disso tudo acontecer, voltamos para o quarto e deixamos a Bebel repousar com os seus filhotes. Tinha sido um dia assustador. Conversamos um pouco e depois, resolvemos sair para dar uma distraída.
Tomei banho, vesti uma roupa elegante e fui com a minha família. Lugar agradável, músicas e pessoas cultas, ótimo para ir em finais de semana. Gosto de lugares assim, calmo e sem muita gente. E como sempre falei, acho que nasci na época errada, sou das antigas, mesmo tendo apenas 15 anos.

Continua...

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