23/01/2016

Como funcionam os rituais de exorcismo?

Um tema muito explorado pelas produções de Hollywood, os rituais exorcistas consistem em uma espécie de tema que assusta as pessoas, especialmente porque está ligado a assuntos sobrenaturais. Aliás, com todo mundo deve estar cansado de saber, esses ritos servem para expulsar do corpo das pessoas e de determinados ambientes, a presença de maus espíritos ou do próprio demônio.
Muita gente por aí diz não acreditar que esse tipo de coisas seja real ou que entidades de outro mundo possam, simplesmente, tomar conta do corpo de uma pessoa viva. Acontece, no entanto, que inúmeros casos assim já foram registrados na vida real e os rituais exorcistas existem de verdade, contam com regras, utensílios e um passo-a-passo, reconhecido pela Igreja. Todo esse conjunto, no final das contas, teria o poder de mandar o demônio embora, em nome de Deus.
Quer saber como tudo isso acontece? Então continue lendo a matéria… a menos que tenha medo demais para isso!

Variedades de rituais

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Aquele ritual cheio de cruzes e água benta é, na verdade, apenas um dos tipos de rituais exorcistas realizados por aí, especialmente pela Igreja Católica, para livrar as pessoas da possessão do demônio. Mas há ainda uma infinidade de outros rituais como, por exemplo, o exorcismo do batismo, feito para abençoar uma criança que esteja recebendo esse sacramento do catolicismo e para livrá-la do chamado pecado original, que nada mais é que a forma natural pela qual ela foi concebida (o sexo). Outros rituais ainda podem servir para abençoar um local ou objeto ou mesmo librá-los d influência do mal.

Identificando a possessão

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Pouca gente sabe, mas a própria Igreja Católica tem suas diretrizes na hora de identificar uma possessão demoníaca. E as regras e instruções para isso não foram criadas por agora: elas existem desde 1614, mas foram reformuladas e atualizadas em 1999. A primeira coisa que essas regras trazem, aliás, é identificar se a pessoa realmente está possuída por um espírito do mal ou se ela apresenta apenas transtornos mentais.
Como o sacerdote faz essa diferenciação? Bom, dentre várias coisas que precisam ser observadas, hoje em dia, os padres se baseiam bastante nos exames psiquiátricos e psicológicos. Antes de tomar qualquer providência também, o membro da igreja faz uma investigação detalhadas da vida da pessoa em questão, para conhecer seus hábitos, como ela costuma se comportar e assim por diante.
Depois disso, se for identificada alguma anormalidade que leva a suspeita de que algo sobrenatural realmente esteja acontecendo, os padres buscam ainda alguns sinais que, embora pareçam clichê, costumam os orientar nessa missão: aversão a água benta e a outros objetos sagrados; habilidade de falar idiomas que nunca tenha estudado e de dar informações impossíveis de serem descobertas, como detalhes da vida e do dia-a-dia os presentes. Somado a isso tudo, também costumam ser indícios de possessão comportamento extremamente agressivo, uso de linguagem obscena e uma força física muito maior que o porte da pessoa aparenta ser capaz de manifestar.

Durante o ritual

Se, no final, a pessoa realmente estiver possuída, o ritual é preparado. O padre de veste com uma sobrepeliz (uma espécie de camisola) preta e uma estola (uma fita de tecido que desce por trás do pescoço) roxa e traz consigo relíquias sagradas da igreja, como cruzes, imagens de santos e assim por diante. A cerimônia, então tem início, baseada do Rituale Romanun (Ritual Romano), um dos livros que descrevem os ritos oficiais da igreja católica e que orienta o sacerdote a realizar uma série de orações, declarações e apelos, invocando a Deus que a pessoa dominada pelo demônio possa ser libertada e ordenando ao mal que atenda as ordens do Senhor.
Todos os presentes são ungidos com água benta e o padre, então, pousa sua mão sobre o possuído. Em seguida, ele faz o sinal da cruz sobre si mesmo e sobre a pessoa que está passando pelo procedimento. Logo começa a parte das relíquias religiosas.
Se, no final da cerimônia, o sacerdote achar que ainda existem traços de possessão, uma nova sessão é marcada e a pessoas supostamente possuída, recebe todas as orações e procedimentos novamente, quantas vezes forem necessárias.

Explicações lógicas

Mas, mesmo com tantos filmes e relatos sobre o assunto, há pessoas mais céticas por aí que tentam explicar os episódios de exorcismos usando a lógica. Um grandes pesquisador do assunto, chamado Michael Cuneo, conta que já viu mais de 50 rituais de expulsão do demônio em várias partes do mundo e, em nenhum deles, havia sinais sobrenaturais, com arranhões sem explicação que aparecem na pele durante as sessões exorcistas ou mesmo levitações de corpo.
Para ele, a maioria dos casos, pelo menos com relação aos que ele já presenciou, tanto a pessoa que se dizia endemoniada, quanto o próprio exorcistas apresentavam sérios desequilíbrios emocionais e psicológicos. Além disso, invariavelmente, essas pessoas estavam ligadas de uma forma muito forte à religião. Isso as faziam suscetíveis a sugestões subconsciente, de forma que  se acreditassem que realmente estavam possuídas e que o ritual de exorcismo funcionaria, eles acabavam funcionando mesmo. É como a cura de doenças a partir de remédios com “efeitos placebo”, que não têm funcionalidades químicas, mas que ajudam a pessoa se convencer de que está livre do mal que perturbava sua saúde.
Agora, se você está procurando explicações para os supostos sinais físicos da possessão, que mencionamos mais acima e que tratam de força física descomunal, grunhidos, babas, enrijecimento corporal e outras coisas do tipo, Cuneo também tem argumentos lógicos para os casos. Segundo ele, todos os sinais interpretados como de possessão demoníaca casam com sintomas de doenças que afetam diretamente a parte motora, como epilepsia,  síndrome de Tourette e esquizofrenia. Essa última, inclusive, faz com que a pessoa tenha alucinações vívidas.

O perigo da crença cega

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Não dá para dizer se todo caso de possessão demoníaca é mesmo verdadeiro ou não, mas o fato é que é preciso muito cuidado para lidar com esse tipo de questão. Interpretações mal feitas de diversos casos, aliás, já foram registradas em várias partes do mundo e, muitas delas, resultaram na morte de pessoas que, na verdade, sofriam de algum mal cientificamente explicável.
Exemplo disso, aliás é a história de uma garotinho de apenas 8 anos de idade, autista, que foi morto durante um ritual de exorcismo. Os membros de sua igreja acreditavam que ele estava possuído e que o demônio era o verdadeiro culpado pela forma como se comportava.
Outro caso também trágico relacionado ao assunto aconteceu na Romênia, com uma freira, de apenas 23 anos que provavelmente sofreia de esquizofrenia. Ela tinha alucinações frequentes e, para livrá-la das garras do mal, sacerdotes da igreja e populares a prenderam e uma cruz, onde ela ficou vários dias sem comida e sem água, para que o demônio fosse expulso de seu corpo. A moça acabou falecendo.

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