26/07/2017

Imagens fortes das heranças nucleares de Chernobyl

Nunca foi boa ideia tentar dominar as forças desconhecidas da natureza. Como prova disso, temos o acidente nuclear mais grave da história que sucedeu na madrugada de 16 de abril de 1986. Três décadas nos separam dessa fatalidade e, entretanto, os estragos seguem tão visíveis quanto antes.
Priapyat é uma cidade fantasma dentro da Zona de Exclusão, uma área de 30 quilômetros que se considerou de alto risco, onde o Exército Vermelho desalojou mais de 130 mil pessoas definitivamente depois do acidente. Fundada em 1970 como lar dos trabalhadores da central nuclear de Chernobyl, a espessa vegetação e o clima temperado durante o verão deram grande fama a cidade, que meses antes do acontecido contava com 50 mil habitantes.
O tour pelos grandes edifícios, amplas avenidas, ginásios e escolas que agora são parte de uma paisagem fantasmagórica não pode se estender por mais de meia hora, pois os níveis de radiação obrigam a abandonar a zona quando se recorre sem nenhum tipo de proteção.
Apesar das apostas de cientistas e biólogos sobre a disponibilidade da vida no local do desastre, hoje ainda abunda flora e fauna no entorno de Chernobyl. A vida resiste apesar de tudo. Hoje, as árvores, os arbustos e mais de 14 espécies de mamíferos diferentes rondam a zona em busca de água e comida, sem saber que estão em uma área potencialmente destruída pelo homem.
Apesar de todos os danos causados aos animais e vegetais, o dano mais grande se traduz em perdas humanas. A energia nuclear tem a extraordinária e devastadora capacidade de destruir o DNA e desafiar a natureza criando dezenas de cópias errôneas de informação genética, que se traduzem em mutações que podem ser fatais para o desenvolvimento da vida.
No instante do acidente, mais de 31 pessoas perderam a vida; entretanto, os efeitos devastadores da radiação atingiram centenas de milhares de pessoas. Depois de vinte anos, mais de 215 mil pessoas se mudaram e a zona inabitável é, de fato, cada vez maior.
O aniquilamento da informação genética é um desastre irreversível que trás consigo má formações, mutações e contaminantes que se introduzem no corpo e causam câncer, doença que aumentou de forma exorbitante na população ucraniana e russa desde o acidente.
O câncer de tireóide, leucemia e outras manifestações graças ao alto nível de radioatividade açoitam hoje os herdeiros do acidente nuclear mais grave de todos os tempos, em uma zona que seguirá excluída ao menos durante os próximos 300 mil anos.
As fotos acima são resultado do trabalho de longo prazo de Pierpaolo Mittica, parte da série “The nuclear trilogy” que tenta criar consciência dos riscos inerentes à energia nuclear fotografando lugares onde ocorreram graves acidentes relacionados a esse tipo de reator. Mittica voltou a Chernobyl mais de 15 vezes desde 2002 para continuar com seu projeto e em cada ocasião, um sentimento de abandono e decadência tomaram conta de sua alma.
Não importa se acontece em Chernobyl ou Fukushima, em meio a Guerra Fria ou em pleno século XXI… O objetivo do trabalho do fotógrafo italiano é demonstrar que a energia nuclear nunca será uma opção sustentável se não pode nem se quer garantir a integridade do meio ambiente e a vida ao redor da produção energética.

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