08/11/2017

Tribo isolada em ilha que rejeita contato com mundo exterior

Embora esteja se tornando cada vez mais raro, de vez em quando ainda ouvimos falar a respeito de tribos indígenas descobertas na Amazônia que evitam o contato com a civilização moderna. Porém, não é só por aqui que esses grupos existem, e um exemplo são os habitantes da Ilha Sentinela do Norte, que faz parte do arquipélago de Andamão. Eles estão situados na baía de Bengala, no Oceano Índico, e são considerados o povo mais isolado do mundo.
Ilha Sentinela do Norte
Os sentineleses — é assim que os habitantes da ilha são chamados — foram descobertos há vários séculos e, portanto, ocorreram inúmeras tentativas de contato ao longo da História, incluindo os exploradores europeus da época da colonização das índias e até a guarda costeira indiana. No entanto, poucos tiveram sucesso em seu intuito de aproximação e, na maioria das vezes, os visitantes foram recebidos com violência pela tribo.

Intocados pela modernidade

O arquipélago no qual a Ilha Sentinela do Norte fica situada entre a península malaia e a Índia, e várias das demais ilhas também são habitadas por povos indígenas. Entre eles estão os andamaneses, os jarawa e os indianos que deixaram o continente para viver no arquipélago, e nenhum desses povos é hostil aos visitantes.
Integrantes da tribo vistos à distância
Entretanto, os sentineleses, apesar de viverem nas imediações das demais ilhas, sempre rejeitaram qualquer tentativa de contato. Os antropólogos que tentam estudar a tribo acreditam que seus integrantes provavelmente sejam descendentes dos primeiros humanos que saíram da África e chegaram à região há cerca de 60 mil anos.
Os sentineleses se comunicam entre si por meio de um dialeto completamente diferente dos utilizados pelos outros indígenas do arquipélago, o que sugere que eles tiveram muito pouco contato com seus “vizinhos” ao longo dos milênios. Contudo, apesar do isolamento, os pesquisadores explicaram que a tribo não se manteve na Idade da Pedra, e sabe-se que eles fabricam ferramentas e armas com metais — obtidos de navios naufragados na área.

Tentativas de contato

No final do século 19, a tripulação de um navio britânico capturou um casal de idosos e algumas crianças da tribo e devolveu os que não sucumbiram às doenças dos “brancos” à ilha pouco tempo depois. Mais tarde, em meados dos anos 60, o Governo indiano decidiu iniciar uma série de viagens à ilha com o objetivo de estabelecer contato com a tribo.
Madhumala Chattopadhyay fotografada durante um de seus contatos com os sentineleses
Em 1991, a antropóloga indiana Madhumala Chattopadhyay conseguiu estabelecer um breve contato após várias incursões à ilha, mas o projeto acabou sendo suspensos para proteger a tribo. Depois dessas tentativas, a população local voltou a se fechar e, desde então, nunca mais permitiu qualquer aproximação de “forasteiros”.
A aproximação é terminantemente proibida
Curiosamente, a Ilha Sentinela do Norte se encontrava no caminho do devastador tsunami que atingiu várias regiões do Índico em 2004. Mas, aparentemente, a tribo — ou parte de seus membros — sobreviveu ao desastre, pois um helicóptero enviado para avaliar a situação foi recebido com flechas. Os pesquisadores que monitoram a população acreditam que os sentineleses se protegeram em locais mais altos antes de as ondas chegarem à ilha.
Recebendo os pilotos com flechas
Atualmente, a ilha é considerada como uma zona de exclusão, o que significa que o acesso a ela é terminantemente proibido. O último incidente envolvendo os sentineleses de que se tem notícia aconteceu em 2006, quando dois pescadores indianos decidiram quebrar as regras e se aproximar demais — e foram mortos a flechadas por membros da tribo.

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